Plenária Rural: Deputados do PT pedem união dos trabalhadores

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Os deputados Moisés Braz e José Nobre Guimarães, ambos do PT, convocaram os agricultores caririenses para a contrarreforma ao pacote de medidas do governo Temer. O comando foi dado durante a plenária sindical rural, na sede da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (FETRAECE), em Crato, no último sábado (7), com a participação de mais de 20 representações sindicais do Cariri.

Os petistas não só tiraram as dúvidas dos trabalhadores sobre as reformas propostas pelo governo Temer e seus impactos na classe, como reforçaram a idéia de unidade política dos agricultores para uma contrarreforma. O deputado estadual Moisés Braz destacou que a classe não pode permitir que o projeto de congelamento de recursos por 20 anos, em setores com Saúde e Educação, seja executado. “Isso se contrapõe às necessidades básica de nós trabalhadores, que utilizamos tais serviços gratuitos”.

Para ele, a classe trabalhadora precisa se mobilizar para reverter essa proposta política. O deputado federal José Guimarães endossou o debate lembrando que Reforma da Previdência mexe diretamente na qualidade de vida dos rurais e representa uma tentativa do presidente Temer de desarticular os sindicatos de base. “Com a obrigatoriedade do pagamento da contribuição previdenciária, para que os agricultores possam se aposentar, o presidente golpista quer que os agricultores deixem de pagar cota mensal aos seus sindicatos. Sem as mensalidades, os sindicatos enfraquecem”.

Ele explica o efeito dizendo que os dois valores vão ficar pesados no orçamento dos agricultores, que só recebem um salário mínimo. A medida, então, forçaria o agricultor a escolher apenas uma contribuição, a da aposentadoria. Sem o dinheiro dos filiados, as entidades não teriam condição de funcionar e enfraqueceriam as lutas sindicais. “Por isso, é preciso que os trabalhadores rurais continuem unidos e ocupem as ruas em protesto às medidas. O governo que esta aí não tem popularidade, mas tem a maioria do Congresso para aprovar os projetos. Só com os povos nas ruas é que será possível uma contrarreforma”, afirmou.

A Reforma Previdenciária, de acordo com Luiz Carlos Ribeiro, presidente estadual da Fetraece, extingue a condição de segurado especial, altera as idades mínimas para receber o provento, que passariam de 55 anos (mulher) e 60 (homem), nivelando a exigência para 65 anos em ambos os casos, proíbe a acumulação do provento com a pensão por morte do cônjuge e obriga a contribuição mensal do agricultor e seus dependentes, a partir dos 16 anos, como microempreendedor.

“Outro ponto é o reajuste salarial. Mesmo o salário mínimo estando longe do que preconizam os órgãos oficiais de pesquisa, que seria o valor de R$ 3 mil, os governos de Lula e Dilma sempre tiveram o compromisso de reajustar o salário pelo menos igual à inflação. Já o Governo Temer só tem apresentado propostas contra nós e a favor dos grandes empresários. Ele trabalha em prol do retorno do neoliberalismo, por isso induz o fim da previdência pública, para que os bancos tomem de conta. Assim, só aqueles que tenham como pagar é que se aposentarão”, observou Luiz Carlos.

O vereador petista Pedro Lobo, de Crato, também destacou a importância da luta de classes diante da tentativa de Reforma na Previdência. “A faixa etária aumentou a expectativa de vida por isso eles querem aumentar as exigências da aposentadoria. Isso é um contrassenso, pois estamos vivendo mais porque as condições de vida melhoraram. Esse governo quer apenas penalizar os trabalhadores. As grandes fortunas e aposentadorias de políticos e militares ficaram de fora da reforma”.

Além da convocação, os deputados, as lideranças políticas e os representantes rurais fizeram encaminhamentos a sem cobrados aos governos federal e estadual. Entre eles, pedem agilidade da finalização dos 15% restantes da obras da transposição do Rio São Francisco. Para eles, essa é a principal política de convivência com a seca, já que as perfurações de poços são paliativas. Participaram do evento, entre outros, agricultores de Caririaçu, Crato, Juazeiro, Barbalha, Farias Brito, Missão Velha, Mauriti, Aurora, Porteiras, Campos Sales, Penaforte, Nova Olinda, Araripe, Milagres, Abaiara, Ipaumirim, Jati, Jardim, Santana do Cariri e Várzea Alegre.

Por Amanda Salustiano

Matéria veiculada no Jornal do Cariri, edição de 10 a 16 de janeiro de 2017

 

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