Estamos mal acostumados à abundância de água (?)

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Hoje, Dia Mundial da Água, é um convite para refletirmos sobre nossa relação com esse recurso natural.

Para a maioria das pessoas que moram em locais dotados de abastecimento regular, é forçoso reconhecer que estamos “mal acostumados à abundância de água”, como bem constatou o ministro da Água do Marrocos, Abdeslam Ziyad.

No Brasil para participar do Fórum Mundial da Água, em Brasília, ele lembrou que o Brasil tem mais de 10% da água doce do mundo, mas que nós precisamos aprender com a “cultura da escassez”. Afinal de contas, uma em cada seis cidades brasileiras corre risco hídrico.

No Marrocos, metade dos recursos hídricos do país está concentrada em apenas 7% do território. No restante do país, onde o deserto predomina, a população local é abastecida por aquíferos no subsolo. Lá, onde chove em média 280mm por ano, não há desabastecimento a provocar racionamento como ao qual Brasília, por exemplo, se submete há mais de um ano.

Segundo Abdeslam Ziyad, o Marrocos conta com  um planejamento antecipado para orientar a sociedade civil sobre o uso da água. Empresas e cidadãos pagam tarifas altas se desperdiçam.

Este é o ponto. No Brasil, em particular no Nordeste, devemos mudar a nossa cultura de uso da água. Com mais de 500 anos de história, já sabemos todo o sofrimento que a ausência de água traz para o ser humano.

Nos últimos 30 anos, temos visto grandes obras serem erguidas para garantir água para todos. São açudes, adutoras, políticas públicas como poços, cisternas e sistemas de abastecimento, entre outros.

A Transposição, esperada desde os tempos do Império, só foi possível graças à decisão política do presidente Lula, e ainda assim aguarda ser concluída enquanto estamos às portas do colapso hídrico dadas as precipitações ainda insuficientes.

Aqui no Ceará, o Governo Camilo Santana investiu mais de R$ 1 bilhão em ações de segurança hídrica. São mais de de 4 mil poços em três anos, 400 km de adutoras, 1.100 chafarizes, mais de 700 sistemas de dessalinização e 19 perfuratrizes de poços profundos. Assim como manteve o investimento em sistemas de abastecimento, cisternas, estações de tratamento de água (ETAs), ações de redução de consumo e combate ao desperdício, sem contar a luta para concluir o Cinturão das Águas a fim de garantir segurança hídrica aos cearenses.

De nossa parte, no projeto de indicação que propõe a criação da política estadual e do sistema estadual de convivência com o semiárido, incluímos entre os seus princípios e objetivos a universalização e democratização do acesso à água e também a garantia dos usos múltiplos dos recursos hídricos de forma racional.

Mas todo esse esforço poderá ser em vão se não trabalharmos a questão do uso racional da água. Seja em atividades simples do dia a dia como escovar os dentes, passando pela agricultura até a atividade industrial, temos que educar crianças, jovens e adultos para o tema.

Uma política efetiva de gestão da água urge, principalmente nos estados nordestinos. Mas uma política que inclua uma repactuação da nossa relação com ela. Água é vida, mas também é desenvolvimento. E nós não vamos avançar enquanto civilização se não conseguirmos estabelecer uma nova consciência em nossos cidadãos.

Pensemos nisso. E vamos à ação.

 

Moisés Braz (PT-CE)

Deputado Estadual