#CEContraOGolpe – 50 mil pessoas reúnem-se em Fortaleza para dizer NÃO ao golpe neste dia 31 de março

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Mobilização teve início em duas praças do Centro, com caminhada até o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, onde houve ato político e show pela democracia. Também houve registros no Cariri e Sobral

Escrito por: CUT-CE e Frente Brasil Popular – Ceará (*)

Uma grande manifestação de rua com estimativa de mais de 50 mil pessoas ocorreu nesta quinta-feira, no Centro de Fortaleza, com o povo cearense levantando a voz contra o golpe, em defesa da liberdade e dos valores democráticos, das conquistas sociais, da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. A manifestação fez parte do Dia Nacional de Luta, neste 31 de março em todo o Brasil e e teve início às 14 horas na Praça do Carmo, com concentração também a partir das 15 horas na Praça da Bandeira. Nas cidade de Juazeiro do Norte, Crato e em Sobral, cerca de 4.500 manifestantes também foram às ruas.

Em Fortaleza, o movimento nas praças do Centro unificou-se e, pouco depois das 17 horas, partiu em uma bela caminhada rumo ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na Praia de Iracema. A manifestação, plural, soberana e de tantas cores, seguiu pela noite com show com vários cantores, compositores e instrumentistas cearenses, representando a união da cena cultural contra o golpe. Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo estiveram à frente das mobilizações, que reuniram diversos partidos de esquerda, movimentos sindical e sociais, juventude, mulheres, LGBTs e diversas categorias profissionais organizadas em defesa da democracia e dos direitos.

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Deputado estadual Moisés Braz participou da mobilização

Movimentação

Desde cedo era intensa a movimentação no Centro, com trios elétricos, carros de som, faixas, bandeiras, palavras de ordem, muitas cores e alegria. A manifestação contou, como prometido, com muita gente vestindo verde e amarelo, além do tradicional vermelho do campo popular e progressista. Muitos manifestantes fizeram questão de comparecer portando a bandeira brasileira, reforçando que os símbolos nacionais não serão apropriados pelos setores conservadores e pelos movimentos reacionários que tentam se aproveitar do clima de instabilidade para impor um golpe contra a democracia e contra um governo democraticamente eleito pela maioria da população.

IMG_1860E alegria foi o que se viu na manifestação desta tarde de quinta-feira, com inúmeros cartazes e faixas fazendo referências bem-humoradas à luta contra o golpe e pela democracia, como é característico do cearense, povo de história guerreira e libertária, exemplo para o Brasil ao romper de forma pioneira os grilhões da escravidão. Teve até uma jararaca, no trio elétrico, reforçando o apoio ao ex-presidente Lula, em menção a seu pronunciamento no dia em que foi conduzido coercitiva e ilegalmente a depor, alertando todo o Brasil para a gravidade de operações excessivas, investigações parciais e seletivas e escutas telefônicas ilegais.

Profissionais organizados

E se no dia anterior os juristas cearenses disseram “não” ao golpe, em um grande ato na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), nesta quinta-feira foi a vez de os médicos progressistas e a favor das conquistas do povo brasileiro mostrarem sua cara e irem pra rua, em um contraponto à ideia de que a categoria estaria a favor do golpe e contra as vitórias obtidas pela população na última década. Os “médicos pela democracia” chamaram muita atenção ao trajar camisetas temáticas e envergar faixas contra o golpe. Jornalistas, radialistas e comunicadores populares também já haviam realizado plenária do movimento na mesma semana.

“O meu país é governado por mulher”

O movimento de mulheres também exaltou o orgulho de ter Dilma como presidente, além de destacar a defesa do ex-presidente que mudou a história do Brasil: “Mexeu com Lula, mexeu comigo”. Jovens, estudantes, idosos, famílias, categorias profissionais, vizinhos de bairro, moradores de diversos municípios e artistas como Parahyba Kid, que puxou do alto do carro de som o refrão contra o golpe e a favor da democracia, saíram às ruas para lutar, mas também para festejar a vida, o direito de expressão, a liberdade de viver em uma democracia.

Governador Camilo discursou no Dragão do Mar

Governador Camilo discursou no Dragão do Mar

A manifestação contou com intensa participação de inúmeras entidades da sociedade civil, sindicatos, grupos de luta popular, representantes dos mais diversos segmentos, parlamentares, lideranças e muitos, muitos cearenses, da Capital e do Interior, que fizeram questão de levantar a voz contra Eduardo Cunha, contra as tentativas golpistas, a favor de Lula, Dilma, da democracia e da liberdade. O grande ato público também teve a presença de inúmeros parlamentares de partidos de esquerda, nas proximidades do Centro Dragão do Mar. O governador Camilo Santana (PT) participou do ato final, junto com a vice-governadora Izolda Cela e o ex-governador Cid Gomes. A atividade avançou pela noite, com a leitura do “Manifesto da Arte pela Democracia”, com o teatrólogo– Ricardo Guilherme, e apresentações artísticas.

“São mais de 50 mil pessoas reunidas hoje em Fortaleza! Quero dizer, em alto e bom som, que são parlamentares, sindicatos, centrais sindicais, movimentos sociais, juventude e mulheres alertando nas ruas, mais uma vez, que não vai ter golpe. Isso é apenas um ensaio do que estamos fazendo para o próximo dia 2. Quero agradecer a cada um de vocês. Nós não perdemos a esperança!” (Wil Pereira, presidente da Central Única dos Trabalhadores no Ceará – CUT-CE)

“Quero pedir forte salva de palmas à presidenta Dilma. É grandiosa a força que essa mulher tem! E para cada um de vocês. Temos que ser interlocutores e reverberar isso para outros cidadãos. Está muito claro que o impeachment é um golpe neste país. A democracia é algo muito precioso neste momento.” (Camilo Santana, governador do Estado do Ceará)

“A gente tem direito de defender o que acredita. O mandato da Dilma é legítimo e não pode ser arrancado pela elite brasileira. O PMDB é a praga nacional e o PSDB é inconformado até hoje. Vamos ganhar as ruas e a opinião pública”. (Cid Gomes, ex-governador do Ceará)

“Já construímos também uma moção de apoio contra o golpe e em defesa da democracia. No interior do Estado, trabalhadores e trabalhadoras rurais estão mobilizados todos os dias, trabalhando um processo de conscientização sobre os graves fatos que estão acontecendo em nosso país”. (Luiz Carlos Ribeiro, presidente da Federação de Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará)

“Nós, juventude e estudantes, estaremos na linha de frente. É o nosso momento de barra o golpe no Brasil. Vamos ser protagonistas dessa história”. (Germana Amaral, diretora da União Nacional dos Estudantes)

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“Estou aqui porque percebi que bandeiras já conquistadas estão sendo ameaçadas. Temos a missão de ser responsáveis pelo lugar, pelo tempo da gente. Estamos defendendo coisas óbvias que já eram pra ter sido superadas. Precisamos de uma cultura mais humana, mais feliz, mais livre. Sem golpe, sem golpe baixo e sem baixaria”. (Parahyba Kid, cantor e compositor)

“A Frente Brasil Popular vem fazendo um belo trabalho aqui no Ceará. Vivemos um momento de grande tensão e é nas ruas que vamos vencer!” (Geyse Anne da Silva, integrante do Coletivo Enegrescer)

“O juiz Moro e a Ordem dos Advogados do Brasil não representam os juízes e advogados democratas deste país. Representam os golpistas que querem derrubar um governo democraticamente eleito. (Inocêncio Uchôa, da Associação dos Juízes pela Democracia)

“Eu, duas irmãs e minha esposa fomos presos durantes a ditadura. Meus dois filhos ainda pequenos foram sequestrados por 45 dias. Senti na pele o que é uma sociedade sem liberdade democrática e as possibilidades de repressão aos movimentos sociais estão se abrindo, como houve em 1964. Diante da possibilidade da quebra do estado democrático de direito, resolvemos vir para as ruas de novo. Muitos de nós, médicos, estavam isolados, por conta de pressões das entidades médicas. Agora resolvemos nos organizar, porque consideramos o impeachment um golpe midiático, judicial e parlamentar” (Manoel Fonsêca, ex-preso político e integrante do movimento Médicos Pela Democracia)

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