Ceará vai às ruas em defesa de Lula

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Convocado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo do Ceará, o ato em defesa do Lula e da Democracia de Fortaleza reuniu mais de 20 mil pessoas entre a tarde e a noite desta sexta-feira, 6 de abril. A manifestação ocupou as principais ruas do Benfica, palco dos levantes populares e da resistência política da Capital.

O deputado estadual Moisés Braz (PT) esteve presente e exigiu respeito às leis e a vontade popular. “Não aceitamos ditadura em pleno século XXI. Tem que ser respeitada a Constituição Federal, os movimentos sociais e a vontade do povo brasileiro. Se querem derrotar Lula, vamos para as ruas. Vamos disputar as eleições”, desafiou.


Quase 24 horas depois da execução do mandado de prisão contra o ex-presidente de Lula, condenado injustamente e sem provas pelo juiz Sérgio Moro, cerca de 10 atos já haviam sido registrados no Ceará. Além de Fortaleza, também aconteceram manifestações em Caucaia, Maracanaú, Maranguape, Madalena, Redenção, Iguatu, Tamboril, Juazeiro do Norte e Sobral. As palavras de ordem “Lula Livre” e “Lula Inocente” foram as mais entoadas pelas multidões.

Militantes de organizações, movimentos sociais, entidades sindicais e trabalhadoras e trabalhadoras protestaram contra a decisão da Justiça Brasileira em mandar prender o ex-presidente Lula sem crimes e sem provas.
“O movimento sindical do Estado do Ceará, urbanos e rurais e servidores públicos, estão em defesa do homem que tanto fez pelo nosso País. “Para prender o Lula tem que prender o movimento sindical, tem que prender a juventude, tem que prender as mulheres”, disse Wil Pereira, presidente da CUT-CE.

Nos microfones, as lideranças populares pediram que a militância enfrente de cabeça erguida os golpistas se organizando nas periferias, nos locais de trabalho, nas escolas e universidades para defender Lula, a democracia e os direitos.
Miguel Braz, do Levante Popular da Juventude, apesar de destacar que vivemos uma conjuntura só comparável com Ditadura Militar, comemorou a união das esquerdas. “Estamos assistindo aqui à unidade da classe trabalhadora e da esquerda brasileira. Defender a democracia nesse momento é uma tarefa revolucionária. E a juventude está unida”, enfatizou.

Renato Roseno, deputado estadual licenciado do PSol, em forte discurso, disse que a verdadeira justiça virá da ação do povo organizado e sem medo de lutar. “Somos mais fortes e somos milhões. Somos uma diversidade que não se esconde. Estamos desde sempre nas ruas. O nosso coração é quente. O deles é frio, calculista e covarde. Estamos aqui por Lula, por Marielle, por cada jovem da periferia urbana exterminados. Estamos por cada trabalhador e por cada trabalhadora”.

Entre as principais críticas dos manifestantes, as palavras contra a postura do STF, que rejeitou o habeas corpus apresentado pela defesa do ex-presidente, em uma votação cheia de contradições. E mais: o repúdio ao papel da grande mídia, que conspirou para a condenação, mesmo sem comprovação dos ilícitos, criando o cenário de farsa que tenta legitimar socialmente as acusações.

“Ministros do STF se negaram a garantir um direito constitucional. Não bastasse isso, Sérgio Moro, não contente com a manobra do STF, atropela. Ele queria testar nossa capacidade de resistência. O recado que demos ao Sergio Moro hoje foi bom, mas temos de trabalhar incansavelmente”, discursou Paulo Henrique Oliveira, da Consulta Popular.
Resistência da Classe Trabalhadora

“O que está na rua hoje não é um partido, não é um sindicato, não é um movimento. É a classe trabalhadora. Fechamos 56 pontos em todo o país hoje”, disse Neném, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
As palavras de Neném foram reforçadas por Eliane Almeida, do Movimento dos Trabalhadores por Direito (MTD): “Estamos aqui contra esses golpistas. Não vamos dar um segundo de sossego pra esse Judiciário que só está aí pra cada vez mais sequestrar a nossa democracia. Nosso dever é resistir”.

Já Enedina Soares, presidente da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará (Fetamce), Lula é perseguido por justamente por ter um programa político contra a retirada de direitos dos trabalhadores e em defesa da soberania nacional. “Eles temem a vontade popular e por isso tentam impedir Lula de ser candidato. Defender Lula é defender o interesse da maioria do nosso povo”, ratificou.

Luciano Simplício, presidente da CTB, deixou a mensagem de que as Centrais, partidos de esquerda e movimentos sociais vão continuar mobilizando para luta. “Não vamos aceitar injustiças com a classe trabalhadora e com nossa principal liderança, Luís Inácio Lula da Silva Lugar de general é no quartel. A rua é nossa”, falou o sindicalista.

Ao final do ato, o povo comemorou que Lula não se entregou à Polícia Federal em Curitiba e mantém a batalha pacífica no que já se chama de “Ocupa São Bernardo”. Lula está na cidade do ABC Paulista cercado por centenas de milhares de lutadores e lutadoras. Para o presidente mais popular da história do país e para os brasileiros é hora de resistência democrática.