Artigo: Dia da Consciência Negra – Racismo é violência, desigualdade e exclusão

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Somos o maior país de população negra das Américas. Mesmo na África dita negra, ficamos atrás apenas da Nigéria, país mais populoso da região Subsaariana.

Os negros foram libertados no Brasil em 1888, mas nunca incluídos como deveriam. Estiveram relegados a um estado de abandono nestes 130 anos.

Tanto que, em vários setores da vida nacional, a presença dos negros ainda é marcada pela raridade. É o que se chama de invisibilidade social, agravada pela sub-representação

Ações afirmativas são coisa recente, não chegam a duas décadas, e certamente estão longe de dar conta de injustiças de 300 anos.

Vivemos uma suposta democracia racial, onde o racismo à brasileira se manifesta de forma silenciosa e não menos violenta.

Os dados são duros e revelam que negros são os que mais morrem, ganham menos e têm menor escolaridade.

Os mais recentes mostram que 71,5% das pessoas foram assassinadas no país no 2016 eram pretas ou pardas – taxa que dobrou em uma década e é três vezes maior que a de brancos.

Estatísticas daquele ano denunciaram que 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados a cada ano. São 63 por dia. Um a cada 23 minutos.

Na educação, 67% dos analfabetos funcionais no Brasil são pretos ou pardos. Os analfabetos pretos somam 8%, contra apenas 3% de brancos não escolarizados. Na população acima de 18 anos, apenas 48% dos negros têm ensino fundamental.

Em 10 anos, as desigualdades sociais relacionadas a etnia, gênero e situação de domicílio (urbano ou rural) diminuíram no país. Mas os negros ainda ganham a metade dos brancos e têm expectativa de vida menor. Em relação às mulheres, os índices são ainda piores.

Evidências de que o racismo, aqui e alhures, não se manifesta apenas no preconceito explícito contra uma pessoa de outra cor, principalmente parda ou negra. Ele também é violento e desigual.

Esse cenário mostra a importância deste mês como o da Consciência Negra. Em 13 de maio a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, mas o 20 de novembro que marcam os 323 anos da morte de Zumbi dos Palmares é o símbolo principal da luta do movimento negro – e deveria ser de fato de todo o país – pela efetiva liberdade. Uma liberdade com igualdade de condições, inclusão e, sobretudo, respeito.

Viva Zumbi dos Palmares! Viva negros e negras de todo o Brasil!

Moisés Braz (PT)
Deputado estadual

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