AL entrega cidadania a Pedro Stédile em celebração dos 35 anos do MST

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Os 35 anos de fundação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e os 30 anos de fundação do MST no Ceará foram celebrados nesta terça-feira (24/09), durante sessão solene, no Plenário 13 de Maio da Assembleia Legislativa do Ceará. Na ocasião, foi feita a entrega do Título de Cidadão Cearense a João Pedro Stédile, um dos fundadores do movimento.

A solenidade atendeu a solicitação dos deputados Elmano Freitas (PT) e Carlos Felipe (PCdoB). Elmano Freitas lembrou que o movimento nasceu de “trabalhadores rurais que tiveram a coragem de enfrentar o sofrimento, o desespero e o desencanto, e decidiram construir dignidade para suas famílias”. O deputado afirmou ainda que o MST tem sentimento de patriotismo, de justiça e solidariedade, e colaborou para a diminuição da pobreza e da miséria no campo e no Ceará.

Segundo Moisés Braz (PT), a homenagem é o reconhecimento pela luta por terra e pela agricultura no Brasil. Ele acrescentou que “aqueles que não reconhecem a importância da luta pela reforma agrária não são dignos de pisar no nosso meios rural”.

O deputado Renato Roseno destacou o pioneirismo do povo cearense em temas como abolição da escravidão e nas lutas no campo. “O Ceará é uma terra de povo que sabe que somente sua consciência e tenacidade podem fazer brotar justiça”, destacou. Ele lembrou que o estado foi o primeiro a aprovar uma lei que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos e que há pressões de empresas para extinguir essa lei. “Vamos defender essa conquista. Nós vamos vencer nos tribunais, na política e na história”, declarou Roseno.

Uma das homenageadas e membro do MST, Fátima Ribeiro, lembrou do início do movimento no Ceará, quando deu-se início ao trabalho de base, no interior do estado. “O movimento foi se espalhando do Interior até chegar ao litoral. Esse sonho plantado não foi em vão. A resistência está aí. Continuem firmes, animados nessa força e nessa esperança”, conclamou.

Homenageado com o Título de Cidadão Cearense, João Pedro Stédile, um dos fundadores do MST, afirmou que os membros do movimento “são herdeiros de muitos lutadores do Ceará que nos antecederam”. Ele citou os povos nativos que cuidaram do território, os movimentos de caráter messiânico que reivindicavam terras, a organização da classe operária, a resistência à ditadura militar. “Sou privilegiado por herdar todo esse patrimônio histórico de luta”, destacou o homenageado.

João Pedro Stédile enfatizou ainda que “o alimento é um direito de todo ser humano. A luta do MST não é apenas ver a terra dividida. É fazer com que a agricultura cumpra a principal função social que é produzir alimentos para todos”. Ele também criticou a quantidade de agrotóxicos liberados no País, ressaltou o valor histórico da iniciativa cearense de proibir a pulverização aérea de agrotóxico, e criticou a isenção de impostos para esses produtos. “Como explicar que o feijão e arroz pagam impostos e veneno não paga?”, questionou.

Para o superintendente do Instituto de Planejamento de Fortaleza, Eudoro Santana, a homenagem da Assembleia Legislativa “é fruto do trabalho e da marca que o MST deixou no Estado do Ceará”.

Durante a sessão solene foram homenageados os membros do MST Maria Paz Pereira, Maria de Fátima Miguel, Francisco Ferreira Lima, Francisco Cilírio Paes e Maria de Jesus da Silva Barros.

Também estiveram presentes à solenidade os deputados Acrísio Sena (PT) e Augusta Brito (PCdoB), o ex-senador José Pimentel; o prefeito de Quixadá, Ilário Marques; vereador de Fortaleza, Ronivaldo Maia (PT); o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Inácio Arruda;  a integrante da direção nacional do MST, Irineuda Monte Lopes; representante da Pastoral da Terra, Senhorinha Soares da Silva; secretário do Desenvolvimento Agrário do Estado, de Assis Martins, além de ex-parlamentares, ex-prefeitos, jornalistas, representantes de movimentos populares, de partidos políticos, grupos religiosos e professores.

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