Mostra-me tua popularidade na crise e te direi quem és

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Moisés Braz*

Bolsonaro é um fenômeno mundial. Mas de incompetência. Enquanto quase todos os líderes mundiais têm visto sua popularidade crescer durante a crise do coronavírus, só o presidente brasileiro desce ladeira abaixo em sentido contrário, como mostrou a pesquisa XP da última segunda, 4 de maio.

Mesmo quem minimizou os perigos do coronavírus mas depois adotou medidas firmes conseguiu ver sua aceitação subir, como Donald Trump (EUA), que cresceu 4 pontos, e Boris Johnson (premiê britânico), que ganhou mais 10 pontos de aprovação popular.

Na Itália, onde o coronavírus causou um caos no sistema de saúde, o primeiro ministro Giuseppe Conte registrou avanço de 30 pontos, enquanto o premiê australiano Scott Morrison saltou 25 pontos.

Outros líderes que se anteciparam na tomada de medidas duras também apresentam níveis de aprovação recordes. Casos do presidente francês Emmanuel Macrón, da chanceler alemã Angela Merkel e do premiê canadense Justin Trudeau, que aumentaram cerca de 10 pontos percentuais cada um, desde janeiro. Ao lado de Bolsonaro, apenas o presidente mexicano López Obrador compõe o time dos que insistem em seguir pelo caminho errado.

Se não fosse tão obtuso, bastava que Bolsonaro olhasse ao redor. Cresceu em popularidade na crise do coronavírus quem inspirou e despertou confiança na população, liderando esforços em conjunto com outras autoridades, reforçando o isolamento social e outras recomendações para conter a covid-19, além de adotar medidas econômicas com impacto real para proteger a população.

Mas Bolsonaro segue desautorizando a própria equipe, insistindo em perseguições de inimigos que só ele enxerga e teimando em uma agenda econômica que só beneficia banqueiros e afunda cada vez mais o povo e o país na crise.

Momentos de crise revelam grandes líderes. Os exemplos de sucesso estão aí para mostrar que é preciso ter coragem, clareza na comunicação, transparência, firmeza e confiabilidade em momentos difíceis para liderar uma equipe que, para se engajar, necessita de um líder que demonstre autenticidade, coerência, determinação e sobretudo humilde para aprender. Sem esquecer, óbvio, de equilíbrio emocional.

Atributos que, ao olharmos para a figura de Bolsonaro, infelizmente não encontramos. Estamos à deriva.

Moisés Braz (PT) é agricultor e deputado estadual no Ceará.

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