Dia do Trabalhador Rural no Brasil de hoje

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Moisés Braz (PT)

Deputado estadual

O dia de hoje tem um significado especial para mim. Nasci em uma família de agricultores, profissão através da qual construí a minha vida, primeiro na lida diária, depois na luta sindical e agora como representante legítimo da categoria em um espaço institucional de poder. Como deputado estadual no Parlamento Cearense, é principalmente para dar vida diga aos milhões de trabalhadores da minha categoria que dedico grande parte da minha energia diária. 

Para além de destacar a importância do trabalhador rural perante à sociedade, muitas vezes pouco reconhecido e valorizado, o 25 de Maio serve também para denunciar a condição atual da grande maioria de famílias da agricultura familiar brasileira.

No Brasil de hoje, os trabalhadores rurais estão quase abandonados. Desmonte de políticas públicas para a Agricultura Familiar (fim do MDA), extinção da reforma agrária, falta de financiamento, precarização nas relações de trabalho e supressão criminosa de direitos trabalhistas e previdenciários compõem o panorama que se arrasta desde o golpe de 2016.

Todo esse cenário foi agravado pela pandemia, cuja crise econômica e social apensada acabou por relegar milhões de agricultores pobres à fome e à falta de proteção social. Por sua vez, o governo Bolsonaro negou à categoria o direito a políticas emergenciais de assistência, mesmo tendo sido aprovadas pelo Congresso Nacional, ao mesmo passo em que protege e beneficia apenas o agronegócio na condução dos destinos do setor no país. 

Para além disso e das intempéries que também prejudicam a produção, o trabalhador rural brasileiro dos dias atuais não consegue acesso a um BPC ou ter seu direito à aposentadoria garantida.

Não fossem as políticas estaduais de Desenvolvimento Agrário de governos como o do Ceará, a situação estaria bem pior.

É contra toda essa maré de desesperança que os homens e mulheres do campo lutam para fazer chegar à mesa mais de 60% dos alimentos consumidos pelos brasileiros. A luta pelo reconhecimento disso é, ainda hoje, um dos grandes desafios. Vencida essa batalha inacabada, ainda é preciso terra, energia, água, assistência técnica, crédito, apoio à comercialização e estímulo à proteção ao meio ambiente. 

Para mudar a realidade de agricultores e agricultoras familiares do Brasil, a tarefa é árdua. Não podemos mais aceitar sermos tidos como um dos maiores produtores de alimentos do mundo enquanto tanta gente amarga miséria e exclusão nas zonas rurais.

Em outubro teremos mais uma vez a chance de mudar essa história. Viva os trabalhadores rurais brasileiros! viva a agricultura familiar!

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