Ações para fortalecer a agropecuária no semiárido são apresentadas na AL

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A Comissão de Agropecuária da Assembleia Legislativa realizou, na tarde desta quarta-feira (18/03), seminário para discutir a situação atual da agropecuária no Ceará. O debate foi proposto pelo presidente da Comissão, deputado Moisés Braz (PT).

O parlamentar destacou a importância de debater o tema, especialmente em período de seca. Enfatizou ainda a necessidade de se tratar com dignidade toda a cadeia que compõe o agronegócio no Ceará, com especial atenção aos produtores da agricultura familiar, que representam 62% da produção no Estado.

O secretário do Desenvolvimento Agrário, Dedé Teixeira, ressaltou que as chuvas abaixo da média são um grande desafio. Segundo ele, em janeiro, a chuva foi 71% menor que o esperado e, em fevereiro, foi 42% abaixo da média. O secretário apresentou números referentes às ações da Pasta e os planos da Secretaria, como Projeto Paulo Freire de desenvolvimento de capacidades, o Projeto São José III, que será lançado amanhã, entre outros projetos destinados ao enfretamento da estiagem e desenvolvimento do setor.

O secretário de políticas agrícolas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Ceará – Fetraece –, José Francisco, declarou que o Ceará tem cerca de 1,14 milhão de agricultores familiares, que produzem o equivalente a 12% do PIB do Estado. Para José Francisco, existe a necessidade de fazer ajustes em linhas de crédito, como Pronaf, que não consideram especificidades de cada região e aplica as mesmas condições para os produtores do semiárido e do Sul do País.

O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Ceará (Faec), Paulo Hélder, informou que o órgão ofereceu 1.160 cursos de formação e declarou que é preciso orientar o produtor para que ele aprenda a se planejar melhor para a seca.

Para Antônio Rodrigues, presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará – Ematerce – é fundamental fomentar o comércio dos produtos e ajudar o produtor a melhorar sua capacidade de organização. Ele pediu que o Parlamento cearense vote a Lei da Agroindústria, que está tramitando na Casa e que poderá ajudar o Estado a dar respostas rápidas para o conjunto de dificuldades enfrentadas no setor.

O chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Gustavo Adolfo, informou que a Embrapa criou um grupo de estudos para estabelecer diretrizes para a convivência com a seca e propor ações de longo prazo, que irão impactar no setor.

O gerente executivo do Banco do Nordeste, Luciano Feijão, ressaltou que seria um avanço se houvesse taxa diferenciada para os produtores do semiárido. Segundo ele, o Estado precisa melhorar em questões como armazenamento de grãos e logística. Ele citou o exemplo dos produtores da Austrália, que produzem o máximo no período chuvoso e armazenam a produção para o período de estiagem. O gerente executivo sugeriu também que a Assembleia trabalhe uma política para pecuária, a exemplo do Propec Leite, de Minas Gerais, que criou uma lei estadual para o setor. Ele destacou que o investimento em energias alternativas para o campo seria uma política interessante de inovação.

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